Informe Chapada

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Quando devemos procurar ajuda de um psiquiatra? Confira a entrevista do Informe Chapada com Dr. Eduardo Ledo

16.01.2015

Muita gente se pergunta quando deve procurar ajuda profissional para tratar problemas de ordem psicológica.

A Psiquiatria é uma especialidade da medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das diferentes formas de sofrimentos mentais como depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia,  transtornos de ansiedade, dentre outros.

Para esclarecer algumas dúvidas sobre o tema o Informe Chapada entrevistou o Dr Eduardo Ledo Alves Pereira que é Mestre em Psicofarmacologia -NEI-USA / Membro da Harvard Medical School, ,Postgraduate Association- USA /Especialista em psiquiatria -ABP/especialista  em psiquiatria da infância e adolescência -ABP.  

Confira como foi o bate-papo:

Informe Chapada: Qual o melhor momento para se procurar um psiquiatra ou um psicólogo?

Dr. Eduardo: Quando há algum grau de sofrimento mental que pode ser aplicado em diversas situações como: alterações de humor, ansiedade ou aquelas alterações que são mais raras, mas bastante graves, como a psicose, situação em que a pessoa perde o contato com a realidade em que vive e passa a se comportar como se estivesse em um mundo a parte. Toda vez que imaginarmos algo que tenha a ver com o psiquismo e que ultrapasse os limites da normalidade podemos procurar o psiquiatra ou psicólogo.

Informe Chapada: Por que é difícil as pessoas aceitarem que tem algum problema a psíquico?

Dr. Eduardo: Temos dificuldades em aceitar qualquer problema em nossas vidas. Normalmente quando eles surgem, o primeiro movimento que fazemos é o da negação. No caso de problemas psíquicos ainda existe um agravante que é o preconceito. Muitas pessoas não procuram ajuda, outras levam anos pra procurar e só o fazem quando o quadro já se tornou grave. Isto ocorre porque, infelizmente, ainda existe um enorme preconceito com o sofrimento psíquico. 

Informe Chapada: As doenças psíquicas podem ser hereditárias? 

Dr. Eduardo: Existe um fator hereditário que chamamos de “herança complexa”, não é uma hereditariedade direta que se possa calcular, mas sabemos que o risco de desenvolver algum problema é maior em familiares de pessoas que tenham algum diagnóstico.

Quase todas as doenças psíquicas tem um fator genético e alguns outros fatores que são os estressores psíquicos sociais.

Tudo o que acontece ao longo da vida da pessoa e que pode ser interpretado como um estressor, pode junto com a fragilidade genética, desenvolver o quadro.

Informe Chapada: Com o avanço da medicina qual a chance de cura de uma pessoa que tem uma doença psíquica?

Dr. Eduardo: Esta é uma questão muito variável. Depende do diagnostico, da complexidade do problema, do andamento das pesquisas no sentido da psicofarmacologia no desenvolvimento de remédios e da psicoterapia no desenvolvimento de abordagem psicoterapêutica.   É muito difícil prever isso, mas certamente o progresso nos tratamentos é continuo. 

Informe Chapada: Uma pessoa pode entrar em depressão sem motivo algum?

Dr. Eduardo: Sim, pode! As pessoas que tem o chamado “transtorno depressivo recorrente” muitas vezes entram em depressão e não encontramos um motivo específico. Pode estar tudo bem na vida familiar, no trabalho, o histórico de vida desta pessoa pode ser sem grandes atribulações e, no entanto, ela desenvolve a depressão.

Episodio depressivo é uma característica da própria doença, ele é primário e não secundário a algum acontecimento.

Informe Chapada: A depressão pode ser graduada?

Dr. Eduardo: Para saber se um paciente melhorou ou a depressão aumentou existem várias formas. Algumas escalas são utilizadas em pesquisas para saber qual o grau.

De forma clínica e de um modo em geral, dizemos que a depressão pode ser leve, moderada ou grave.

Informe Chapada: Como prevenir ou identificar os sintomas da depressão?

Dr. Eduardo: Quanto melhor for a vida e menores forem os fatores de estresse os riscos diminuem. A prevenção possível é esta.

Em pessoas que já foram diagnosticadas uma vez é recomendado  o uso de medicação contínua como também o acompanhamento em psicoterapia para diminuir a possibilidade de novos episódios.

A evolução de cada episódio depressivo é muito variável, depende da pessoa, do que acontece com ela, de quais são os fatores de estresse, mas de um modo geral a prevenção é: quanto melhor a vida menor o risco.

Informe Chapada: Além de remédios o que mais o Senhor costuma receitar aos seus pacientes?

Dr. Eduardo: Psicoterapia, com o que chamamos de “higiene de vida”, ou seja, analisar o que pode ser feito para melhorar a qualidade de vida do paciente, diminuir fatores de estresse, incentivar a prática de atividade física, lazer e de como trabalhar a mente: estudando, lendo,  assistindo bons filmes, tendo um vida o melhor possível.

Nas psicoterapias são utilizadas abordagens pela palavra. O profissional trabalha para ajudar o individuo a se entender melhor, adquirir consciência de que pode melhorar a vida.

Informe Chapada: Deixe sua mensagem aos nossos leitores.

Dr. Eduardo: Não tenham medo de procurar ajuda! Vamos superar os preconceitos. Quando algo acontecer, quando supor que se trata de algum problema da esfera da psiquiatria, procure ajuda.

 

 

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